2 de mar de 2013

O Discípulo Radical


Discípulo ou cristãos?

Deixe-me explicar e justificar o titulo deste livro*, O Discípulo Radical.

Em primeiro lugar, porque “discípulo”?

Para muitos, descobri que, no Novo Testamento, os seguidores de Jesus Cristo são chamados de “cristãos” apenas três vezes, é uma grande surpresa.

A ocorrência mais significativa é o comentário de Lucas explicando que foi em Antioquia da Síria que os discípulos de Jesus foram chamados de “cristãos” pela primeira vez (At 11.26). Antioquia era conhecida como uma comunidade internacional. Consequentemente, a igreja também era uma comunidade internacional e seus membros eram adequadamente chamados de “cristãos” para indicar que as diferenças étnicas eram superadas por lealdade comum a Cristo.

As outras duas ocorrências da palavra “cristão” evidenciam que seu uso estava ficando mais comum. Assim, quando Paulo, que estava sendo julgado diante do rei Agripa, o desafiou diretamente, Agripa clamou’: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (At 26.28).

Depois, o apóstolo Pedro, cuja primeira carta foi escrita em um contexto de perseguição crescente, achou necessário fazer distinção etre aqueles que sofriam “como criminosos” e aqueles que sofriam “como cristãos” (1Pe 4.15-16), isto é, por pertencerem a Cristo. Ambas as palavras (cristãos e discípulo) implicam relacionamento com Jesus. Porém, “discípulo” talvez seja mais forte, pois inevitavelmente implica ralacionamento entre aluno e professor. Durante os três anos de ministério público, os doze foram discípulo antes de serem apóstolos e, como discípulos, estavam sob a instrução de seus Mestre e Senhor.

Talvez, de alguma forma, deveriamos ter continuado a usar a palavra “discípulo” nos séculos seguintes, para que os cristãos fossem discípulos de Jesus de maneira consciente e levassem a sério a responsabilidade de estar “sob disciplina”.


Meu interesse com este livro é que nós, que afirmamos ser discípulos do Senhor Jesus, não o provoquemos a dizer: “Por que chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”(Lc 6.46). O discipulado genuíno é um discipulado sincero – e é daí que surge a próxima palavra.

Em segundo lugar, por que “radical”? Sendo esse o adjetivo usado para descrever nosso discipulado, é importante indicar o sentido no qual o utilizo.

A palavra “radical” é derivada do latim radix, raiz. Originalmente, parece ter sido utilizada como rótulo político para pessoas como William Cobertt, político do século 19, e seus pontos de vista extremos, liberais e reformistas. Assim, vem daí o uso geral para se referir àqueles cujas opniões vão ás raizes e que são extremos em seus compromisso.

Agora estamos prontos para unir o substantivo e o adjetivo e fazer a terceira pergunta: por que “discípulo radical”? A resposta é obvia. Exitem diferente níveis de comprometimento na comuniade cristã. O próprio Jesus ilustra isso aoexplicar o que aconteceu com as sementes que descreve na Parábola do Semeador (1). A diferença entre as sementes está no tipo de solo que as recebeu. A respeito da semente em solo rochoso, Jesus dis: “Não tinha raiz”

Geralmente evitamos o discipulado radical sendo seletivo: escolhemos as áreas nas quais o compromisso nos convém e ficamos distantes daquela nas quais nosso envolvimento nos custará muito. Porém, por Jesus ser Senhor, não temos o direito de escolher as áreas nas quais nos submetemos á sua autoridade.

Jesus é digno de receber

Honra e poder divino

E bênção mais que não podemos dar

Sejam, Senhor, para sempre tuas (2).

Assim, meu propósito neste livro é considerar oito características do discipulado cristão que, apesar  de serem frequentemente negligenciadas, merecem ser levadas a sério.

* Texto originalmente publicado como prefácio do livro “O Discípulo Radical”, de John Stott, Editora Ultimato.

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