17 de ago de 2017

O Funeral das Igrejas Históricas

 
   Quem sou eu para decretar a morte ou o fim de qualquer instituição? Absolutamente Ninguém, no entanto o passado serve para enxergamos a fenomenologia de algumas coisas, ou seja, a tipicidade de algumas situações que se repetem  e que servem como arquétipo e nos ajudam a no mínimo esperar alguns eventos. Alguns vão falar que é papo de "desigrejado ou "caiofabianismo" que fala mal do "sistema religioso" e blá blá blá, são rótulos dados por pessoas de pensamento curto, pessoas que são anões no pensamento e na vida. Defenderei de forma breve aqui que essas "grifes" ou "nomes" de denominações estão com seus dias abreviados, contados, e quase findos.
     Antes disso é bom colocar que a Igreja de Jesus jamais acabará, ela é uma instituição eterna, e já vêm antes do próprio cristianismo. No entanto a forma como ela se reúne, se organiza, sua dinâmica, e sua linguagem passarão por transformações inevitáveis no processo histórico. Os tempos demandarão isso, e só os que tiverem uma abordagem teológica centrada terão categorias para compreender as demandas e as idiossincrasias desse época. É bom que seja assim, é bom que as coisas mudem, para alguns as coisas devem permanecer como sempre foram, só que o "sempre" de alguns é de 100 anos para cá, o de outros é de quase 500 anos pra cá quando iniciou-se a reforma protestante, ou seja, cada um quer empalhar o seu passado favorito e congela-lo no tempo deixando ele lá, fazendo culto de relíquias, canonizando pioneiros, missionários, fundadores, mesmo que a maioria das pessoas não entenda nada do que ele crê.
    Quando se aceita as coisas como naturais fica mais fácil contribuir de uma maneira mais eficaz, sem saudosismos ou utopismos.Os processos históricos se encarregaram de sepultar muitas boas coisas, tudo isso que vivenciamos nas "igrejas" desde crianças têm um prazo de validade.Houve um Tempo em que aquilo foi útil de alguma forma, mas hoje simplesmente não faz mais sentido por uma série da razões, isso nos faz repensar nossos modelos de formação de líderanças, plantação de novas igrejas, pregação, ensino, entre outras coisas. Esse Texto não é nenhuma apologia de que se esqueça o LEGADO, pelo contrário, eu afirmo o Legado como algo essencial para a sustentabilidade de qualquer processo, pois isso dá uma forte noção de família, de ancestralidade, e de sabedoria presente na experiência.
    É triste ver que algumas denominações importantes não entendem isso, dá para ver como elas estão definhando, desidratando, perdendo a vida, porque o foco está totalmente em se agarrar nas pilastras, nos bancos, no letreiro, etc. Ficam Culpando a cultura, o relativismo, o pluralismo, o liberalismo, enfim... Não que estes não sejam nocivos e tenham que ser combatidos com a escritura, mas muitos se escondem nisso para justificar que ninguém entende sua mensagem, ninguém quer ir para a "igreja", e que o mundo é culpado de tudo. Fico triste por alguns irmãos que creem firmemente nessas coisas, mas que podiam dar mais, ser mais, servir mais a igreja de Jesus, se permitisse entender que tem coisas vão e não voltam mais, que ficam obsoletas e caem em desuso.
    Muitos de dizem teólogos e não sabem disso, aliás se dizem teólogos e não discernem os sinais dos tempos, não sabem nem quando vai chover, não sabem em que estações nos encontramos na história, se um verão ou inverno, nem os movimentos das marés. John Stott dizia em seu livro "Eu creio na pregação" que o pregador ou profeta é aquele que está na proa do barco, ou seja, adiante dando as coordenadas, é o primeiro a ver uma ameaça futura e avisar. Até os Pássaros sabem o momento de migrar, e nós aqui presos não entendemos o verão chegar e nos comportamos como se estivéssemos no inverno, que este conteúdo nos agregue a nossa reflexão sobre a missão que Deus nos deu de pregar o evangelho e falar do seu reino de amor.

21 de jul de 2017

O suicídio dos Teólogos!

Olá Leitores, Me sinto inspirado e provocado a refletir sobre um assunto que volta sempre às rodas da internet, que é o Suicídio, provavelmente por causa da morte de um famoso rockeiro essa semana, que foi encontrado enforcado. Quero poder usar desse espaço mais uma vez como lugar onde coloco minha perspectiva sobre o assunto que para min não é nem um pouco difícil, mas parece que é para alguns alvo de bastante controvérsia, principalmente em relação a questão soteriológica, pois muitos perguntam: o cristão que se suicida perde a salvação? ele era um eleito? 
  A discussão sobre o suicídio ser ou não pecado, ou ser algo que leva uma pessoa a perder ou não a salvação, revela que o nosso protestantismo tem muito do catolicismo ainda. Nós ainda carregamos uma percepção catolicizada sobre pecado. Temos uma noção estereotipada de pecado, medieval, romana, que nos leva a analisar apenas uma atitude exterior, quando na verdade o pecado não é uma atitude exterior, não necessariamente, muito mais do que isso o pecado é uma atitude interior, ou seja, o "peso" de uma atitude "errada" se mede não pelo ato em si, mas pela motivação da pessoa que o pratica. Por isso não cabem cartilhas morais, listas de regras, dietas existenciais, não toco nisso, não manuseio aquilo, não como, não bebo, não fumo, respeito aquele ou esse feriado ou dia santo, não cabem sistematizações da vontade de Deus. A doce vontade de Deus se revela na caminhada do dia a dia em forma de bom senso, em forma de equilíbrio, de uma maneira sustentável e saudável e não de uma forma abstrata e fora da realidade de quem o pretende praticar.  Aquele que oferecer o seu corpo como sacrifício vivo experimentará um renovo na sua mente e discernirá qual será a boa perfeita e agradável vontade de Deus.
    Colocando em termos práticos eu compararia Saul e Davi. O primeiro pecou quando decidiu guardar os despojos de uma batalha, quando Deus dissera para não guardar nada, e ainda tentou comprar a  Deus com sacrifícios daqueles despojos, como se Deus fosse subornável. O segundo pecou de maneira brutal quando tramou a morte de um homem leal a ele, sincero diante de Deus, para pegar a mulher de Urias para si, cometendo um homicídio e um adultério, ambos os crimes previstos em lei eram passíveis de pena de morte, mas quem provaria esses crimes? se não foi ele quem pegou uma arma contundente e desferiu golpes na vítima? e se ele a vítima apenas morreu em batalha, aonde ele teria errado em tomar a mulher viúva de seu marido, que era  soldado, como sua esposa? ambos os casos revelam a depravação do homem, mas seja sincero, em termos de moralidade religiosa protestante evangélica quem pecou mais foi Davi, pois enquanto o pecado do outro não era nem pecado em si previsto pela lei, mas foi uma desobediência dentro de um relacionamento com Deus. Tenho certeza que a Igreja evangélica hoje é a Igreja dos "Saul" que prestam obediência exterior moralista, mas não a obediência sincera e de coração. Não teríamos lugar para Davi na nossa igreja e sim para Saul.
   O que isso se aplica a questão do Suicídio? bom, as pessoas dizem que ele é pecado.. diante do que eu disse acima sobre perspectiva sobre pecado, há sentido nesse debate? a questão não é essa, a questão quem cometeu? foi um eleito? foi um pecador? se foi um eleito eu digo não vai ser o suicídio que vai tirar algo desse eleito, se foi um pecador, ficar vivo é a própria  morte, se foi um pecador, tanto faz, ele iria para o inferno com ou sem suicídio.
   Posso aferir objetivamente se uma pessoa  é eleita ou não?  não posso, por mais que tenha sido piedoso em vida ainda existe espaço para que estejamos enganados se afirmarmos que tal pessoa era salva. 
   Posso aferir objetivamente se uma pessoa não é eleita? não posso, por mais que tenha sido pecador, se em algum momento ele se arrepende, e existe espaço para isso, ele pode ser salvo, sem sermão, sem biblia, sem igreja, somente no seu íntimo.

Paulo Gustavo

26 de fev de 2017

O cristão e o Carnaval!

Resultado de imagem para carnaval medieval     Olá, Leitores! Hoje Quero tratar desse assunto em ritmo de samba, pois bem rápido eu quero pontuar algumas coisas sobre a nossa relação com o carnaval em si, ajudando para uma reflexão maior que sempre deve existir para que possamos discernir a boa, perfeita, e agradável vontade de Deus.
     Eu poderia explicar a origem pagã e a origem cristã dessa festa e como ela veio se tornando o que é hoje, eu indicaria vocês fazer uma pesquisa sobre isso, é bem legal acrescentar algumas informações à nossa reflexão mitos sejam desfeitos, mas diretamente quero tratar da nossa relação com o mundo, com a cultura, e a nossa ética com relação a tudo isso.
     Indo mais direto ao ponto, o cristão é chamado a se alegrar, celebrar, e viver uma vida de paz, então é lícito ao cristão se divertir, óbvio que a concepção de vida, a consciência, e a ética cristã nos direciona a uma vida que glorifique a Deus, nesse sentido, sinceramente, não vejo nenhum mal em participar do carnaval. Uns viajavam e se retiram, outros são caseiros, ou seja, todos têm o seu "carnaval particular", pois não há como de alguma forma não tirar proveito desse período de feriados por mais isolado que a pessoa queira estar da sociedade. Por anos e anos ouvimos um discurso sobre carnaval que o demonizava, mas o cristão é chamado a discernir/separar as coisas, o cristão é desafiado a observar a cultura e apreciar e incentivar pontos positivos, descartar e condenar pontos negativos que são distantes do ideais de Deus, fazendo assim o seu próprio carnaval, não com o fermento do pecado, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.
    Nós já compartilhamos o nosso espaço de trabalho com pessoas ímpias e torpes, da mesma forma também compartilhamos a faculdade, a rua, o comércio, o futebol (torço para o flamengo), por que não compartilhamos o espaço público, o lazer, e momentos de diversão com eles? será que necessariamente estamos compartilhando de valores mundanos e imorais, ao partilhar o mesmo ambiente que eles? creio que não necessariamente. Eu posso ir ao maracanã ver o flamengo jogar e ao mesmo tempo não partilhar de brigas, palavrões, ódio, bebida, entre outros problemas que vemos quando olhamos para a " Festa do Futebol". Nós Já estamos nesse mundo que é contaminado pelo pecado, se fosse assim teríamos que sair daqui, mas Jesus na oração sacerdotal orou: " não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal", não sejamos ingênuos, até para nossas igrejas locais deveríamos parar de ir se considerarmos que existem pessoas vis, enganadoras, e torpes em todas as denominações, aliás, inclusive nós somos cheios de maledicência e pecado em nós, Deus habita as nossas vidas, mesmo sabendo o quanto temos de pecados e falhas morais.
    A verdadeira espiritualidade é aquela que discerne tudo isso, que tem maturidade para separar o joio do trigo, o mal do bem, e assim poder viver em paz, pois o Reino não é comida e nem bebida, mas paz, justiça, e alegria no espírito santo. Que Deus nos dê graça para viver essas coisas para sua glória.

16 de nov de 2016

A bíblia e os limites da reflexão cristã!

 Olá amados irmãos leitores, ocorreu-me de usar esse espaço para pensar um tema pouco falado, mas importante para nossa caminhada, que são as limitações do saber teológico e da reflexão cristã, ou seja, saber calar quando Deus se cala, saber falar até onde Deus fala, não buscar entender o que é inacessível a nós, mas caminhar mesmo com todas as dúvidas e incertezas que na verdade fazem parte da condição precária da vida humana. Existem aqueles que Advogam que a escritura pode responder todas as coisas, que por ser inerrante e infalível ela apresenta parâmetros para os menores centímetros da existência humana (não está tão errado), sabe o tipo de cara que estudou teologia e tem resposta pra tudo? pessoas assim acreditam que a complexidade da vida cabem em sistemas teológicos ou cabe numa dogmática ou confissão de fé.
      Pessoas assim sempre tem o que dizer até em momentos de tão profundar dor e sofrimento aonde o silêncio e o gesto reverente diriam muito mais, pessoas assim têm sempre um sermão na manga, uma teoria do estado, da sociedade, da moralidade, enfim... não que a bíblia não tenha isso, mas isso faz com que se "teologize" a vida demais, quando na verdade o foco principal da bíblia não é ensinar moralidade e ética, pois outras religiões o fazem, mas apresentar o plano da salvação ao homem, ou seja, o foco da bíblia é Jesus, é o Reino de Deus que chegou com ele, é a redenção do homem. Deus tem também outras tantas maneiras de falar ao homem, por exemplo, pela sua própria experiencia e cotidiano, pela boa ciência, pela razão muitas vezes, entre outras coisas, não sei se é viagem minha, mas para alguns eu percebo que a vida é um grande dogma, que nada fora dele se não coisas falsas e não aproveitáveis, na verdade o que eu estou falando aqui ja é uma "teologia", na verdade o que eu quero denunciar é um "biblicismo" exagerado da parte de muitos, que os leva a legalizar a vida, a torna a caminhada um calvário de regras e sistematizações, que geram processos de culpa, de medos, de "mal resolvência", e pessoas sistemáticas, sem nenhuma perspicácia e discernimento espiritual.
    Muitos ao ler isso diriam para min que estou relativizando o fato de a bíblia ser nossa regra absoluta de fé e prática, ou o fato de ela ser infalível ou inerrante, pelo contrário estou afirmando, pois em assuntos relacionados a salvação e vida do homem a bíblia contém toda base de verdade, seja ela da salvação, mas também da vida ética, o que eu estou afirmando é que ela não quer tratar de tantos assuntos de modo que precise de tantos enquadramentos, isso é um tipo de racionalismo biblicista exagerado que leva a uma nova forma de farisaização e legalismo. Não podemos achar que o legalismo era uma coisa só do Primeiro século, mas que era uma forma de pensar característica que se produz de muitas formas ainda hoje no seio da cristandade. Normalmente esses exageros são cometidos não pelos ignorantes e leigos que são maioria por ai, mas pelos reformados, calvinistas, que têm uma obsessão em serem "bíblicos" conforme suas perspectivas, porém o exagero os faz cair em distorções várias e que acabam não produzindo justiça.
   Para conclusão Gostaria de colocar um texto muito elucidativo ao que estou tentando colocar: 
"Há três coisas misteriosas demais para mim, quatro que não consigo entender: O caminho do abutre no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto mar, e o caminho do homem com uma moça." Provérbios 30:18;19
   Para o proverbista, do alto sua sabedoria ainda existiam coisas que ele não alcançava, que ele não podia entender, que ele não poderia sistematizar sobre, que ele não poderia teologizar,ou seja, eram coisas contempláveis, mas que não cabe na linguagem e nas simplificações que buscamos fazer. Portanto que a nossa vida seja teórica sim, mas também prática, a nossa espiritualidade é a dos nossos dias e tempos, e não das idealizações exageradas que não pacificam o ser e a existência.

2 de nov de 2016

O cristão e a sua Auto Estima! Como cuidar?

 
 Um dos tipos de obsessões das pessoas hoje é a questão da auto-estima, digo isso com relação a corrida desenfreada das pessoas para melhora-la com  diversas intervenções, de cirurgia estética a psicólogos as pessoas tem gastado com isso, tem pregado o auto-amor, caindo ao meu ver numa coisa ridícula facebookiana de narcisismo extremado.
    Não é porquê a modernidade trata mal o assunto, jogando tudo para os lugares comuns, os clichês, os chavões, que devemos ignorar tudo e achar que isso não nos pertence como cristãos. Não se pode jogar a água e a criança fora da bacia (um ditado velho), podemos devemos pensar em tudo em alto nível, com categorias bíblicas, o homem e a mulher devem ser bíblicos, devemos redimir a imagem e a semelhança de Deus pela escritura.
   Qual deverá ser a base da nossa auto estima como cristãos? a estética? a intelectualidade? uma suposta popularidade em determinado nicho? sucesso econômico? Já quero partir da ponto que a base da nossa vida e caminhada como homens e mulheres é o fato de que o amor de Deus é suficiente em nossas vidas, pois essas crises que as pessoas vivem é na verdade de aceitação, buscamos de alguma forma ser aceitos por uma ou mais pessoas, nos diluímos no meio da multidão para sermos palatáveis, perdemos nossas identidade, nossa essência, para intuitivamente "fazer o gosto" de determinadas pessoas. Aplicar a receita da aceitação não nos leva a bons lugares existencialmente falando, estamos falando de perca do nosso próprio "eu em cristo", sim eu pessoalmente creio num "eu" que é construído a imagem do criador e do salvador.
    As tentações em torno disso são muitas, pensamos em ceder a isso e tentar sim sermos agradáveis ao maior número possível de pessoas, muitos homens tentam se alterar para agradar ao sexo oposto com medo de serem reprovados, mudam convicções, mudam valores, tudo isso com um medo interior de ficarem sozinhos, isso não é bom. As mulheres também entram em obsessões com vistas a agradar o homem pelo medo instintivo de ficar só, são conflitos que vemos no dia a dia. Tenho Cada vez mais pensado que o melhor momento de conhecer alguém é quando não estamos preocupados com o que aquela pessoa vai achar de nós, não estou advogando que sejamos desagradáveis de propósito, ninguém gosta de gente inconveniente, chata, sincerona, mas que seja você , seja natural, busque melhorar para a glória de Deus, e para você, e quem tiver de enxergar você como homem e mulher que tem valor, enxergará, caso contrário, siga sua vida.
   Na Adolescência era bem comum agir de modo a querer fazer parte de uma galera, um grupo, oma coletividade, mas na fase adulta da vida já não cabe mais isso, Porém o que eu tenho percebido é uma Adolescência Geral, ou seja, todo mundo busca em demasia ser aceito custe o que custar, e isso tem levado o emocional de muita gente para o buraco. Pessoas cheias de machucados, de doloridos, frustradas, se perdendo por ai, não acho que isso valha a pena. 
   O amor de Deus é essencial para o ser, para o nosso equilíbrio emocional, desfrutar do amor dele, conhecendo-o, é o verdadeiro remédio para nossas rachaduras existenciais, precisamos mergulhar mais no ser de Deus, de olhar mais para Jesus, no sentido de assimilar ele em nossas vidas, dar cada passo conforme ele, ser doente é a regra nesse mundo, e podemos não perceber o quanto podemos estar assim por fazer parte da maioria, por isso devemos refletir muito sobre isso e discernir os caminhos de vida. 

Paz

22 de out de 2016

A auto ajuda e a pós-modernidade!

   
Tenho pensado cada dia mais que não são as drogas químicas o grande produto a ser vendido hoje por ai, mas sim idéias torpes. Tenho visto o mal que certos tipos de pensamento tem feito nas pessoas que não buscam em Deus uma condição em que lhes permita terem anticorpos para suportar, para refletir, para não aderir a certas ondas e certos sensos comuns que nos levam a ter pouquíssima consistência de vida. 
     A auto ajuda tem sido uma dessas "químicas" que tem sido vendido por ai, na verdade estamos na era do 'auto", do "Self", aonde as pessoas querem saber o que elas podem fazer por elas mesmas para serem felizes. Tem um monte de gurus motivacionais por ai, um monte de Expert em sucesso e felicidade, sessões inteira de livros que tratam só de como você ser feliz em 10 passos, como fazer dar certo em 7, como não fracassar em 21, como não ser triste em.. bom e por ai vai.
     Me referi a Auto Ajuda como um certo típo de química, por que ela trabalha misturando elementos da religião predominante, das ciências, da psicologia, entra um pouco na estatística, e por ai vai, no fim das contas ela só quer dizer como a vida é bonita e como você é um vencedor, ou como pode ser um se não estiver se sentindo. Sem me alongar muito já tendo definido o assunto, quero colocar uns problemas sérios que eu vejo nesses conteúdos que estão presentes em filmes, livros, pregações religiosas, entre outras plataformas.
     Uma idéia bem feia que eu vejo por ai sendo difundida nessa geração flácida é a demonização da tristeza, como se tal sentimento não tivesse nada para oferecer de bom, como se momentos de solidão, e de frustrações, não pudessem oferecer uma oportunidade de amadurecimento, crescimento, fortalecimento. Salomão disse que seria melhor está na casa de luto, do que na casa aonde há festa, pois na casa do luto há reflexão sobre a vida, só que hoje parece que queremos não nos deparar com realidades que entristecem, pois não sabemos para onde canalizar a tristeza, não sabemos e não aprendemos nesses livros o que fazer quando ganhamos um não, eles se quer consideram as negativas que a vida dá, apenas dizem que se seguir os 7 passos no fim encontrará o sucesso e a felicidade.
    Outra coisa que tem embriagado os jovens e adultos por ai é a idéia excessiva de sonhos, alguém até te bate se você disser que não tem nenhum "sonho", ou você tem que ter um "sonho" bem ambicioso para demonstrar que você é uma pessoa motivada na vida. Dá onde vem isso? na bíblia não vejo o Apóstolo Paulo sonhando em ter uma carruagem ano 40.DC, financiada em tantas vezes sem juros, ou mesmo algo mais nobre como uma família, Paulo se quer tinha uma família, pois desejava ter uma dedicação maior ao evangelho, ele era infeliz? sim ele seria para os dias de hoje. Em momentos em que ele demonstra tristeza e solidão, ele só pede amigos com ele,  e não livros que falem sobre como estar motivados todos os dias. Quem é que se sente motivado todo dia? 
    Para não ser longo, pois poderia falar muito mais coisas contra essa mentalidade, eu concluiria falando que é o tipo de coisa que é como jujuba na nossa dieta, ou seja, é bonito e gostoso, mas não agrega no ser, não fortalece, não trás consistência para alma, de modo que quando os invernos frios batem, as pessoas não aguentam e tomam resoluções absurdas, do tipo não confiar mais em Deus, não crer que ele exista, preenchendo o espaço dele com coisas como causa política por exemplo, que é muito comum no Brasil. Deixa a auto ajuda, e viva com a ajuda do alto..

16 de set de 2016

Vida de Papel

  Essa semana fomos chocados com uma tragédia. O ator domingos Montagner, um homem forte, saudável, cheio de vida, com carreira e sucesso profissional, com muito pela frente, ao ir tomar um banho de rio apenas, perdeu sua vida e creio que detalhes todos já sabem. Acontecimentos como esses devem nos fazer refletir sobre algumas coisas importantes. Já dizia salomão que é melhor estar na casa do luto, pois ali se reflete sobre o sentido da vida, considerando coisas que na casa da alegria não temos espaço, analisando assim podemos tirar alguma coisa até mesmo de eventos tão inesperados como esses e quem sabe crescer.
 
    A primeira reflexão que eu faria tendo como pano de fundo esses fatos é que devemos valorizar cada minuto com as pessoas, pois não sabemos quando elas não estarão mais. Existem pessoas tão frequentes em nossas vidas, e acabamos pensando que ela sempre estarão ali, acabamos por banalizar aquela pessoa tão importante para nós, podendo chegar ao tempo em que só podemos lamentamos sua ausência para sempre. É dolorido só perceber depois o quanto alguém foi importante para nós e que não temos mais oportunidade de retribuir, de reconhecer, e de dar honra aquela pessoa. Fico imaginando a dor desses familiares, que perderam de forma tão estúpida um ente querido, tomara que eles tenham tido tempo de dizer tudo que sentem, ainda que tinham tanto pra viver ainda do lado dele.
    Penso também que o medo pode ser bom, o medo pode nos livrar de muitas coisas, pessoas destemidas não cuidam e não atentam para perigos, pessoas ousadas demais, que se confiam demais não sabem que morrer é muito mais fácil que viver, que a vida é frágil como um papel, que nossa vida é um sopro, não somos nem de longe somos auto-suficientes. A maioria dos afogamentos acontecem com quem sabe nadar, não quero julgar se foi o caso com o ator, mas se ele tivesse um trauma de infância que não deixasse ele ter coragem para ir longe dentro da água evitaria tal evento. Concluo dizendo que nossos traumas, medos, são nossas marcas, e nos ajudam a refletir, óbvio que não devemos nos pautar pelos medos e traumas, sob pena de não viver, mas devemos considerar que o medo é normal diante de coisas desconhecidas.
    A brevidade da vida me saltou como algo a se pensar, se pensarmos que estatisticamente é mais fácil morrer do que viver, que existem tantas coisas que podem ceifar nossa vida, que somos pequenos, indefesos, e que no brasil vivemos dias cruéis do ponto de vista de segurança. Sem contar que nosso tempo de vida em média é pouco e passa rápido. Isso me faz pensar que cada escolha, decisão, e passo na caminhada da vida é de suma importância, saber aproveitar, remir o tempo, otimizar as coisas, perdoar, amar, ajudar, se doar, deixar um legado importante, e pregar o evangelho a todo e todas. Viver para glória de Deus implica em bom uso da força que temos, bem como do tempo, da inteligencia, forças, e recursos, devemos empregar tudo que somos e temos para que alcancemos uma vida digna da eleição divina em nós. Que possamos continuar a pensar sobre essas coisas e que Deus nos abençoe!