16 de nov de 2016

A bíblia e os limites da reflexão cristã!

 Olá amados irmãos leitores, ocorreu-me de usar esse espaço para pensar um tema pouco falado, mas importante para nossa caminhada, que são as limitações do saber teológico e da reflexão cristã, ou seja, saber calar quando Deus se cala, saber falar até onde Deus fala, não buscar entender o que é inacessível a nós, mas caminhar mesmo com todas as dúvidas e incertezas que na verdade fazem parte da condição precária da vida humana. Existem aqueles que Advogam que a escritura pode responder todas as coisas, que por ser inerrante e infalível ela apresenta parâmetros para os menores centímetros da existência humana (não está tão errado), sabe o tipo de cara que estudou teologia e tem resposta pra tudo? pessoas assim acreditam que a complexidade da vida cabem em sistemas teológicos ou cabe numa dogmática ou confissão de fé.
      Pessoas assim sempre tem o que dizer até em momentos de tão profundar dor e sofrimento aonde o silêncio e o gesto reverente diriam muito mais, pessoas assim têm sempre um sermão na manga, uma teoria do estado, da sociedade, da moralidade, enfim... não que a bíblia não tenha isso, mas isso faz com que se "teologize" a vida demais, quando na verdade o foco principal da bíblia não é ensinar moralidade e ética, pois outras religiões o fazem, mas apresentar o plano da salvação ao homem, ou seja, o foco da bíblia é Jesus, é o Reino de Deus que chegou com ele, é a redenção do homem. Deus tem também outras tantas maneiras de falar ao homem, por exemplo, pela sua própria experiencia e cotidiano, pela boa ciência, pela razão muitas vezes, entre outras coisas, não sei se é viagem minha, mas para alguns eu percebo que a vida é um grande dogma, que nada fora dele se não coisas falsas e não aproveitáveis, na verdade o que eu estou falando aqui ja é uma "teologia", na verdade o que eu quero denunciar é um "biblicismo" exagerado da parte de muitos, que os leva a legalizar a vida, a torna a caminhada um calvário de regras e sistematizações, que geram processos de culpa, de medos, de "mal resolvência", e pessoas sistemáticas, sem nenhuma perspicácia e discernimento espiritual.
    Muitos ao ler isso diriam para min que estou relativizando o fato de a bíblia ser nossa regra absoluta de fé e prática, ou o fato de ela ser infalível ou inerrante, pelo contrário estou afirmando, pois em assuntos relacionados a salvação e vida do homem a bíblia contém toda base de verdade, seja ela da salvação, mas também da vida ética, o que eu estou afirmando é que ela não quer tratar de tantos assuntos de modo que precise de tantos enquadramentos, isso é um tipo de racionalismo biblicista exagerado que leva a uma nova forma de farisaização e legalismo. Não podemos achar que o legalismo era uma coisa só do Primeiro século, mas que era uma forma de pensar característica que se produz de muitas formas ainda hoje no seio da cristandade. Normalmente esses exageros são cometidos não pelos ignorantes e leigos que são maioria por ai, mas pelos reformados, calvinistas, que têm uma obsessão em serem "bíblicos" conforme suas perspectivas, porém o exagero os faz cair em distorções várias e que acabam não produzindo justiça.
   Para conclusão Gostaria de colocar um texto muito elucidativo ao que estou tentando colocar: 
"Há três coisas misteriosas demais para mim, quatro que não consigo entender: O caminho do abutre no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto mar, e o caminho do homem com uma moça." Provérbios 30:18;19
   Para o proverbista, do alto sua sabedoria ainda existiam coisas que ele não alcançava, que ele não podia entender, que ele não poderia sistematizar sobre, que ele não poderia teologizar,ou seja, eram coisas contempláveis, mas que não cabe na linguagem e nas simplificações que buscamos fazer. Portanto que a nossa vida seja teórica sim, mas também prática, a nossa espiritualidade é a dos nossos dias e tempos, e não das idealizações exageradas que não pacificam o ser e a existência.

2 de nov de 2016

O cristão e a sua Auto Estima! Como cuidar?

 
 Um dos tipos de obsessões das pessoas hoje é a questão da auto-estima, digo isso com relação a corrida desenfreada das pessoas para melhora-la com  diversas intervenções, de cirurgia estética a psicólogos as pessoas tem gastado com isso, tem pregado o auto-amor, caindo ao meu ver numa coisa ridícula facebookiana de narcisismo extremado.
    Não é porquê a modernidade trata mal o assunto, jogando tudo para os lugares comuns, os clichês, os chavões, que devemos ignorar tudo e achar que isso não nos pertence como cristãos. Não se pode jogar a água e a criança fora da bacia (um ditado velho), podemos devemos pensar em tudo em alto nível, com categorias bíblicas, o homem e a mulher devem ser bíblicos, devemos redimir a imagem e a semelhança de Deus pela escritura.
   Qual deverá ser a base da nossa auto estima como cristãos? a estética? a intelectualidade? uma suposta popularidade em determinado nicho? sucesso econômico? Já quero partir da ponto que a base da nossa vida e caminhada como homens e mulheres é o fato de que o amor de Deus é suficiente em nossas vidas, pois essas crises que as pessoas vivem é na verdade de aceitação, buscamos de alguma forma ser aceitos por uma ou mais pessoas, nos diluímos no meio da multidão para sermos palatáveis, perdemos nossas identidade, nossa essência, para intuitivamente "fazer o gosto" de determinadas pessoas. Aplicar a receita da aceitação não nos leva a bons lugares existencialmente falando, estamos falando de perca do nosso próprio "eu em cristo", sim eu pessoalmente creio num "eu" que é construído a imagem do criador e do salvador.
    As tentações em torno disso são muitas, pensamos em ceder a isso e tentar sim sermos agradáveis ao maior número possível de pessoas, muitos homens tentam se alterar para agradar ao sexo oposto com medo de serem reprovados, mudam convicções, mudam valores, tudo isso com um medo interior de ficarem sozinhos, isso não é bom. As mulheres também entram em obsessões com vistas a agradar o homem pelo medo instintivo de ficar só, são conflitos que vemos no dia a dia. Tenho Cada vez mais pensado que o melhor momento de conhecer alguém é quando não estamos preocupados com o que aquela pessoa vai achar de nós, não estou advogando que sejamos desagradáveis de propósito, ninguém gosta de gente inconveniente, chata, sincerona, mas que seja você , seja natural, busque melhorar para a glória de Deus, e para você, e quem tiver de enxergar você como homem e mulher que tem valor, enxergará, caso contrário, siga sua vida.
   Na Adolescência era bem comum agir de modo a querer fazer parte de uma galera, um grupo, oma coletividade, mas na fase adulta da vida já não cabe mais isso, Porém o que eu tenho percebido é uma Adolescência Geral, ou seja, todo mundo busca em demasia ser aceito custe o que custar, e isso tem levado o emocional de muita gente para o buraco. Pessoas cheias de machucados, de doloridos, frustradas, se perdendo por ai, não acho que isso valha a pena. 
   O amor de Deus é essencial para o ser, para o nosso equilíbrio emocional, desfrutar do amor dele, conhecendo-o, é o verdadeiro remédio para nossas rachaduras existenciais, precisamos mergulhar mais no ser de Deus, de olhar mais para Jesus, no sentido de assimilar ele em nossas vidas, dar cada passo conforme ele, ser doente é a regra nesse mundo, e podemos não perceber o quanto podemos estar assim por fazer parte da maioria, por isso devemos refletir muito sobre isso e discernir os caminhos de vida. 

Paz