26 de mar de 2013

Chocolate ou Sangue!?


Fala Galera, Paz a todos!

Fui intimado a escrever depois de ficar tanto tempo se escrever, mas enfim, vamos ao que interessa!
Nesta semana temos um feriado que por sinal é um dos mais famosos em nosso País, a chamada Páscoa, isso mesmo, aquela que tem coelhos, ovos de chocolate, bombons é tantas outras guloseimas.
E como sempre no meio do caminho as vezes perdemos o fio da meada e não foi diferente com a Páscoa, bem acredito que todos nós já sabemos o que significa Pascoa (Passagem).
Mas vamos ao texto que achei bem interessante e quero compartilhar com vocês...
No texto de Êxodo 12 quando se discorre a respeito da Páscoa no versículo 5 diz assim:

"O CORDEIRO, ou cabrito, será sem defeito, uma macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras." (Êxodo 12-5)

A partir deste versículo é importante ressaltar que  O CORDEIRO SEM DEFEITO do qual fala o texto era uma alusão do Cristo que viria mais tarde, mas na verdade o que significa a Páscoa? 
Biblicamente significa a morte de Cristo mas também podemos fazer um link a respeito da libertação do povo e a PASSAGEM pelo Deserto, e Deus querendo fazer sua glória conhecida endureceu o coração de Faraó até onde quis para mostrar quem Ele era tanto para os judeus quanto para os Egípcios  Mas vamos um pouco mais a fundo, podemos notar que então que o povo estava cativo no Egito mas "Ouvindo Deus o gemido de seu povo" (Êxodo 2-24) lembrou da promessa que havia feito a Abraão, vamos trazer a nossa realidade agora, podemos fazer uma conjectura que o Egito era o Pecado era onde nós estávamos cativos e Deus segundo seu propósito nos libertou e nos proporcionou a PASSAGEM (por Cristo) para a Promessa que Ele havia feito a seu povo que era a Terra Prometida (Salvação), logo podemos perceber que todo processo de libertação do povo faz uma alusão a situação pecadora do homem, e nisto consiste a Páscoa que o Cordeiro, Deus encarnado, Jesus, se humilhou vindo a Terra para que Ele satisfizesse sua Justiça em Cristo para que assim fôssemos Justificados pela Fé nEle, acredito que mais importante do que o nascimento de Jesus, foi sua Morte porque foi pela sua Morte podemos ser reconciliados com Deus e ter acesso ao Pai, então  essa memorável data representa a propiciação de Cristo, seu Sacrifício por nós para que assim pudéssemos ter acesso ao Pai. Então nada tem haver a Páscoa com coelho ou chocolate, porém isso não nos impede de comer como muitos legalistas dizem por aí, se quiser comer, coma e aproveite para lembrar do que Cristo fez por nós.
Isso em nada implica, precisamos entender que o Evangelho não nos dá uma mentalidade castradora e sim sensitiva quanto a Vida e ao meu próximo, mas sempre devemos ter em mente que o verdadeiro e real sentido da Pascoa é que DEUS um dia se tornou homem para que o homem fosse como Ele, participante de sua natureza divina (2 Pe 1-4)
E como foi a instrução de Deus a Moisés em relação ao SINAL: "O Sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes." (Êxodo 12-13a)

Que a cada dia venhamos trazer a memória aquilo que nos dá esperança (Lamentações 3-21): Seu sangue nos limpa de todo Pecado, seu Santo sangue foi derramado para que nós fossemos feito Justiça (2 Cor 5-21) e pudéssemos ser Salvos através do Messias (Salvador) aquele que foi a PASSAGEM para que nós pudéssemos ter um um NOVO  e VIVO caminho. (Heb 10:19-23)

Ótima Pascoa!
Que o Senhor nos abençoe!

"DEUS TORNOU PECADO POR NÓS AQUELE QUE NÃO TINHA PECADO, PARA QUE NÓS NOS TORNÁSSEMOS JUSTIÇA."






25 de mar de 2013

O lavar os pés uns dos outros

     Nessa semana da páscoa desejo falar do lava-pés, do ensino que esse ato carrega, e do ensino que esse ato carrega quando é feito por Jesus no contexto de João 13. O que tal atitude vinda de Jesus pode ter provocado nos seus discípulos? como eles se sentiram? é isso que gostaria de tratar nesse texto.
     Esse Costume de lavar os pés era bem comum dentro de lares israelistas, era algo que se fazia com o viajante que chegava depois de longa viagem, aonde se sujava os pés com a poeira da caminhada. Era feito pelo escravo da casa, que se despia e se agachava podendo assim tocar os pés.
    Jesus sempre chocou as pessoas com o seu ensino profundo, esse choque para alguns era ruim como no caso dos fariseus, porém para tantos outros significou liberdade em um contexto de opressão religiosa, e igualdade em um contexto de hierarquias e desigualdades. Cada atitude de Jesus dessa natureza abria para os discípulos as portas para uma caminhada que não se imaginava ter, O lava pés foi justamente esse instrumento de choque para mostrar o que deveriamos ser uns para os outros.

   O que me faz pensar é que Jesus silenciosamente pegou a toalha, se despiu da tunica, e começou a lavar os pés de cada um, o ensino de Jesus é silencioso, são atitudes sem palavras, porém que falam muito mais do que qualquer teoria ou teologia. Imagino a expressão de cada discípulo meio que sem saber o que pensar deixando Jesus se agachar na frente deles praticamente nu como um escravo lavando seus pés. Jesus não queria falar nada, o desejo dele era deixar aquela cena gravada na mente deles de que o seu mestre foi escravo deles lavando os pés, todos tiveram seus pés lavados, até mesmo o traidor.
  Sabemos que tudo isso representa a humildade, o serviço, a comunhão, a igualdade, o que me preocupa é que tais valores não sejam por nós cultivados e aplicados ao coração no cotidiano da vida. O que me preocupa é que datas que poderiam servir para uma análise profunda do sentido nosso de como nos damos uns com os outros,  tenho pensando na minha vida de como eu tenho levado essa vida chamada "cristã", do meu risco de cair da graça de Deus que gera amor e entrar no cerimonialismo litúrigico que não lava mais os pés da poeira da caminhada, pelo contrário que só acumula ou joga toda a poeira dos pés para debaixo dos tapetes da moral religiosa.
 Que essa Páscoa seja realmente uma "passagem" como significa o termo, que possamos migrar de uma paralisia religiosa, para uma vida de liberdade, serviço, igualdade e de amor.

#pense

16 de mar de 2013

William Wilberforce




No século 18, a Inglaterra detinha o monopólio do comércio de escravos negros. Os meios de transporte eram os mais cruéis imagináveis. Boa parte da população inglesa tirava proveito desse comércio, e o povo, de maneira geral, aceitava a escravidão. Havia aqueles que enriqueciam e, por isso, defendiam com veemência o escravagismo. Mas Deus graciosamente ergueu uma geração de políticos cristãos para lutar contra o que William Carey chamou de "maldito comércio de escravos".

Preciosa graça

É surpreendente que nenhum grande reformador da história ocidental seja tão pouco conhecido como William Wilberforce. Ele nasceu numa família nobre da Inglaterra, na cidade portuária de Hull, em Yorkshire, em 24 de agosto de 1759. Naquela época, como hoje, a aristocracia vivia em meio a contradições: nela se encontravam alguns dos grandes benfeitores da nação e alguns de seus maiores corruptores. Wilberforce era fruto dessas ambigüidades.

Após estudar em uma escola em Pocklington, foi aceito em 1776 no St. John's College, na Universidade de Cambridge, onde decidiu dedicar-se à carreira política, tendo sido eleito representante de seu povoado aos 21 anos de idade. Além de repartir o dinheiro que possuía, mandou fazer um grande churrasco para todo o vilarejo, o que lhe valeu um bom número de votantes. Aos 24 anos, já era um político famoso por sua eloqüência e acabou por ser eleito representante de Yorkshire, o maior e mais importante condado da Inglaterra, chegando a Londres cheio de popularidade.

Em 1784, ainda aos 24 anos de idade, partiu para uma viagem a Nice, na França, que traria grande transformação em seu caráter. Levou consigo a mãe, Elizabeth, a irmã Sally, uma amiga dela e Isaac Milner, seu antigo professor primário, e que veio a se tornar presidente do Queen's College, na Universidade de Cambridge. Na bagagem de Milner, Wilberforce viu uma cópia do livro de Philip Doddridge - mais conhecido por ter escrito o famoso hino "Oh! Happy Day" [Oh! Dia Feliz!] -, The Rise and Progress of Religion in the Soul [O começo e o progresso da religião na alma]. Ele perguntou para seu amigo o que era aquilo e recebeu a resposta: "Um dos melhores livros já escritos". Os dois concordaram em lê-lo juntos na jornada.

A leitura desse livro e das Escrituras, acompanhada de conversas com Milner, levaram o jovem político à conversão. Ele declarou em seu diário, em fins de outubro daquele ano:

Assim que me compenetrei com seriedade, a profunda culpa e tenebrosa ingratidão de minha vida pregressa vieram sobre mim com toda sua força, condenei-me por ter perdido tempo precioso, oportunidades e talentos [...]. Não foi tanto o temor da punição que me afetou, mas um senso de minha grande pecaminosidade por ter negligenciado por tanto tempo as misericórdias indescritíveis de meu Deus e Senhor. Eu me encho de tristeza. Duvido que algum ser humano tenha sofrido tanto quanto eu sofri naqueles meses.

Wilberforce começou um programa que durou toda sua vida, de separar os domingos e um intervalo a cada manhã para se dedicar à oração e às leituras espirituais.

Uma longa e dura luta

Já de volta a Londres, a vida de Wilberforce tomou novos rumos. Ele considerou suas opções, inclusive o ministério cristão, mas foi convencido por John Newton que Deus o queria permanecendo na política, em vez de entrar para o ministério. "Espera e crê que o Senhor te levantou para o bem da nação", escreveu Newton.

Depois de muito pensar e orar, Wilberforce concluiu que Newton estava certo. Deus o chamara para defender a liberdade dos oprimidos como parlamentar. "Minha caminhada é de vida pública. Meu negócio está no mundo, e é necessário que eu me misture nas assembléias dos homens ou deixe o cargo que a Providência parece ter-me imposto", escreveu em seu diário, em 1788.

Outro que o influenciou fortemente foi JohnWesley. Newton e Wesley tinham, além de uma fé vibrante no evangelho, uma forte convicção de que não havia maior pecado pesando sobre as costas do Império Britânico do que o terrível e abominável tráfico de escravos, que Wesley batizara de "execrável vileza".

Bruce Shelley diz que os ingleses entraram nesse comércio em 1562, quando Sir John Hawkins pegou uma carga de escravos em Serra Leoa e a vendeu em São Domingos. Então, depois que a monarquia foi restaurada em 1660, o rei Carlos II deu uma concessão especial para uma companhia que levava 3 mil escravos por ano para as Índias Orientais. A partir daí, o comércio cresceu e atingiu enormes proporções. Em 1770, os navios ingleses transportavam mais da metade dos cem mil escravos vindos da África Oriental. Muitos ingleses consideravam o tráfico de escravos inseparavelmente ligado ao comércio e à segurança nacional da Grã-Bretanha.

John Wesley escreveu sua última carta a Wilberforce, em 24 de fevereiro de 1791, seis dias antes de morrer, encorajando-o a executar o plano da abolição da escravatura. Um parágrafo dessa carta diz o seguinte: "Oh! Não vos desanimeis de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou".

Foi por conta dessas influências que Wilberforce decidiu dedicar toda a força de sua juventude e todo o talento que tinha a um único objetivo que consumiria toda sua vida: a abolição do tráfico negreiro. Algum tempo depois, num domingo, 28 de outubro de 1787, ele escreveu em seu diário as palavras que se tornaram famosas: "O Deus todo-poderoso tem colocado sobre mim dois grandes objetivos: a supressão do comércio escravocrata e a reforma dos costumes.

Uma fonte de estímulo nessa luta foi sua participação ativa no chamado Grupo de Clapham (Clapham Sect), constituído de pessoas ricas cujas residências ficavam em Clapham, um elegante bairro localizado a 8 quilômetros de Londres, que apoiava muitos líderes leigos na busca de uma reforma social, liderados por um humilde ministro anglicano, John Venn. Como destacam Clouse, Pierard & Yamauchi, o Grupo de Clapham foi, de longe, a mais importante expressão anglicana na esfera da ação social. Esse grupo de leigos geralmente se reunia para estudar a Bíblia, orar e dialogar na biblioteca oval de Henry Thornton, um rico banqueiro que todo ano doava grande parte de seus rendimentos para a filantropia.

Outros que participavam do grupo eram: Charles Grant, presidente da Companhia das Índias Orientais; James Stephens, cujo filho, chefe do Departamento Colonial, auxiliou bastante os missionários nas colônias; John Shore, Lorde Teignmouth, governador-geral da Índia e primeiro presidente da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira; Zachary Macauley, editor do Observador Cristão; Thomas Clarkson, famoso líder abolicionista; a educadora Hannah More, além de outros líderes evangélicos. Dentre várias atividades, eles ajudaram a fundar a colônia de Serra Leoa, onde escravos libertos poderiam viver livres.

Clouse, Pierard & Yamauchi dizem:

Este grupo uniu-se numa intimidade e solidariedade incríveis, quase como uma grande família. Eles se visitavam e moravam um na casa do outro, tanto em Clapham, como na própria Londres e no campo. Ficaram conhecidos como 'os Santos' por causa de seu fervor religioso e desejo de estabelecer a retidão no país. Vários comentaristas observaram que eles planejavam e trabalhavam com um comitê que estava sempre reunido em 'conselhos de gabinete' em suas residências pata discutir o que precisava ser consertado e estratégias que poderiam usar para alcançar seus objetivos.

Neste grupo, discutiam os erros e as injustiças de seu país, e as batalhas que teriam de travar para estabelecer a justiça.

Os membros do Grupo de Clapham demonstraram a diferença que um grupo de cristãos pode fazer. Eles elaboraram 12 marcas que nortearam seu esforço pela reforma social na Inglaterra do século 19:

1. Estabeleça objetivos claros e específicos.
2. Pesquise cuidadosamente para produzir uma proposta realista e irrefutável.
3. Construa uma comunidade comprometida que apóie uns aos outros. A batalha não pode ser vencida sozinha.
4. Não aceite retiradas como uma derrota final.
5. Comprometa-se a lutar de forma contínua, mesmo que a luta demore décadas.
6. Mantenha o foco nas questões; não permita que os ataques malignos de oponentes o distraiam ou provoquem resposta similar.
7. Demonstre empatia com a posição do oponente, de forma que diálogo significativo aconteça.
8. Aceite ganhos parciais quando tudo o que é desejado não puder ser obtido de uma só vez.
9. Cultive e apóie suas bases populares quando outros, que estiverem no poder, se opuserem a seus projetos.
10. Transcenda à mentalidade simplista e direcione-se às questões maiores, principalmente as que envolvem questões éticas!
11. Trabalhe através de canais reconhecidos, sem lançar mão de táticas sujas ou violentas.
12. Prossiga com senso de missão e convicção de que Deus o guiará providencialmente se estiver verdadeiramente a seu serviço.

Em 1797, Wilberforce publicou um livro intitulado Practical View of Real Christianity [Panorama prático do cristianismo verdadeiro], amplamente lido e ainda publicado, que evidenciava o interesse evangélico na redenção como a única força regeneradora, na justificação pela graça por meio da fé e na leitura da Escritura em dependência ao Espírito Santo, ou seja, numa piedade prática que redundasse em serviço relevante para a sociedade. Nessa obra, ele disse sobre o cristianismo verdadeiro:

Eu compreendo que a marca prática e essencial dos verdadeiros cristãos é a seguinte: que os pecadores arrependidos, confiando na promessa de serem aceitos [por Deus], mediante o Redentor, têm renunciado e abjurado todos os outros senhores, e têm de maneira integral se devotado a Deus. Agora, seu propósito determinado é se dedicar integralmente ao justo serviço do legítimo Soberano. Eles não mais pertencem a si mesmos: todas as faculdades físicas e mentais, sua herança, sua essência, sua autoridade, seu tempo, sua influência, tudo o que desconsideram como sendo seus [...] devem ser consagrados em honra a Deus e empregados a seu serviço.

E sobre o poder e o direito:

Eu devo confessar [...] que minhas próprias [e sólidas] esperanças pelo bem-estar do meu país não depende de seus navios e exércitos, nem da sabedoria de seus governantes, ou ainda do espírito de seu povo, mas sim da [capacidade de] persuasão de todos aqueles que amam e obedecem ao evangelho de Cristo.

No tempo de Deus

Wilberforce e seus amigos do Grupo de Clapham também ajudaram a fundar escolas cristãs para os pobres, a reformar as prisões, a combater a pornografia, a realizar missões cristãs no estrangeiro e a batalhar pela liberdade religiosa. Mas Wilberforce acabou por se tornar mais conhecido por seu compromisso incansável pela abolição de escravidão e do comércio de escravos.

Sua luta começou por volta de 1787 - ele já era parlamentar desde 1780. Haviam pedido a Wilberforce que propusesse a abolição do comércio de escravos, embora quase todos os ingleses achassem a escravidão necessária, ainda que desagradável, e que a ruína econômica certamente viria ao acabar com a escravidão. Apenas uns poucos achavam o comércio de escravos errado. A pesquisa de Wilberforce o pressionou até conclusões dolorosamente claras. "Tão enorme, tão terrível, tão irremediável aparentou a maldade desse comércio que minha mente ficou inteiramente decidida em favor da abolição", disse ele à Casa dos Comuns. "Sejam quais forem as conseqüências, deste momento em diante estou resolvido que não descansarei até efetuar sua abolição." Wilberforce falou primeiramente sobre o comércio de escravos na Casa de Câmara dos Comuns em 1788, num discurso de três horas e meia, que concluiu dizendo: "Senhor, quando nós pensamos na eternidade e em suas futuras conseqüências sobre toda conduta humana, se existe esta vida, o que esta fará a qualquer homem que contradisser as ordens de sua consciência e os princípios da justiça e da lei de Deus!". Sua luta custou-lhe dezoito anos de trabalho incansável.

Os feitos de Wilberforce foram realizados em meio a tremendos desafios. Ele era um homem de constituição fraca e com uma fé desprezada. Quanto à tarefa, enquanto a prática da escravatura era quase universalmente aceita, o comércio de escravos era tão importante para a economia do Império Britânico quanto é a indústria de armamentos para os Estados Unidos hoje. Quanto à sua oposição, incluía poderosos interesses mercantis e coloniais e personalidades como o famoso Almirante Horacio Nelson e a maior parte da família real. E quanto à sua perseverança, Wilberforce continuou incansavelmente, anos a fio, antes de alcançar seu alvo. Sempre desprezado, ele foi duas vezes assaltado e surrado. Certa vez, um amigo lhe escreveu, dizendo-lhe que, do jeito que as coisas andavam, "eu espero ouvir dizer que foste carbonizado por algum dono de fazenda das Índias Ocidentais, feito churrasco por mercadores africanos e comido por capitães da Guiné, mas não desanime - eu escreverei o seu epitáfio!"

O comércio de escravos foi finalmente abolido em 25 de março de 1806. Quando a lei foi aprovada, todo o Parlamento se pôs de pé e aplaudiu Wilberforce por vários minutos, enquanto ele, já desgastado pelos anos, chorava com o rosto entre as mãos.

Ele continuou a campanha contra a escravidão em todos os territórios britânicos, e o voto crucial da famosa Lei de Emancipação chegou quatro dias antes de sua morte, em 29 de julho de 1833.

Por conta da decisão parlamentar, poderosa como era e não querendo ser lesada em seus interesses, a Grã-Bretanha declarou ao mundo que nem ela nem ninguém mais poderia traficar escravos. Além disso, tornou-se a guardiã dos mares. Logo, Portugal e Bélgica, as duas nações rivais, tiveram também de parar com o tráfico, por força do poderio naval inglês.

Um ano depois da morte de Wilberforce, em julho de 1834, 800 mil escravos, principalmente na Índia Ocidental britânica, foram libertos. Em pouco tempo, a maior parte dos países ocidentais aboliria a escravidão em definitivo.

(extraido do blog azusa)

2 de mar de 2013

O Discípulo Radical


Discípulo ou cristãos?

Deixe-me explicar e justificar o titulo deste livro*, O Discípulo Radical.

Em primeiro lugar, porque “discípulo”?

Para muitos, descobri que, no Novo Testamento, os seguidores de Jesus Cristo são chamados de “cristãos” apenas três vezes, é uma grande surpresa.

A ocorrência mais significativa é o comentário de Lucas explicando que foi em Antioquia da Síria que os discípulos de Jesus foram chamados de “cristãos” pela primeira vez (At 11.26). Antioquia era conhecida como uma comunidade internacional. Consequentemente, a igreja também era uma comunidade internacional e seus membros eram adequadamente chamados de “cristãos” para indicar que as diferenças étnicas eram superadas por lealdade comum a Cristo.

As outras duas ocorrências da palavra “cristão” evidenciam que seu uso estava ficando mais comum. Assim, quando Paulo, que estava sendo julgado diante do rei Agripa, o desafiou diretamente, Agripa clamou’: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (At 26.28).

Depois, o apóstolo Pedro, cuja primeira carta foi escrita em um contexto de perseguição crescente, achou necessário fazer distinção etre aqueles que sofriam “como criminosos” e aqueles que sofriam “como cristãos” (1Pe 4.15-16), isto é, por pertencerem a Cristo. Ambas as palavras (cristãos e discípulo) implicam relacionamento com Jesus. Porém, “discípulo” talvez seja mais forte, pois inevitavelmente implica ralacionamento entre aluno e professor. Durante os três anos de ministério público, os doze foram discípulo antes de serem apóstolos e, como discípulos, estavam sob a instrução de seus Mestre e Senhor.

Talvez, de alguma forma, deveriamos ter continuado a usar a palavra “discípulo” nos séculos seguintes, para que os cristãos fossem discípulos de Jesus de maneira consciente e levassem a sério a responsabilidade de estar “sob disciplina”.


Meu interesse com este livro é que nós, que afirmamos ser discípulos do Senhor Jesus, não o provoquemos a dizer: “Por que chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?”(Lc 6.46). O discipulado genuíno é um discipulado sincero – e é daí que surge a próxima palavra.

Em segundo lugar, por que “radical”? Sendo esse o adjetivo usado para descrever nosso discipulado, é importante indicar o sentido no qual o utilizo.

A palavra “radical” é derivada do latim radix, raiz. Originalmente, parece ter sido utilizada como rótulo político para pessoas como William Cobertt, político do século 19, e seus pontos de vista extremos, liberais e reformistas. Assim, vem daí o uso geral para se referir àqueles cujas opniões vão ás raizes e que são extremos em seus compromisso.

Agora estamos prontos para unir o substantivo e o adjetivo e fazer a terceira pergunta: por que “discípulo radical”? A resposta é obvia. Exitem diferente níveis de comprometimento na comuniade cristã. O próprio Jesus ilustra isso aoexplicar o que aconteceu com as sementes que descreve na Parábola do Semeador (1). A diferença entre as sementes está no tipo de solo que as recebeu. A respeito da semente em solo rochoso, Jesus dis: “Não tinha raiz”

Geralmente evitamos o discipulado radical sendo seletivo: escolhemos as áreas nas quais o compromisso nos convém e ficamos distantes daquela nas quais nosso envolvimento nos custará muito. Porém, por Jesus ser Senhor, não temos o direito de escolher as áreas nas quais nos submetemos á sua autoridade.

Jesus é digno de receber

Honra e poder divino

E bênção mais que não podemos dar

Sejam, Senhor, para sempre tuas (2).

Assim, meu propósito neste livro é considerar oito características do discipulado cristão que, apesar  de serem frequentemente negligenciadas, merecem ser levadas a sério.

* Texto originalmente publicado como prefácio do livro “O Discípulo Radical”, de John Stott, Editora Ultimato.