18 de jan de 2014

O fim do começo ou começo do fim


"O fim das coisas é melhor que o seu inicio" Ec. 6.8
O que estas vivendo o "fim do começo" ou "começo do fim"?
-fim do começo: Pessoas que estão vivendo na expectativa do passado, nas glorias que tiveram, vivem no eterno saudosismo religioso, vivem apenas nas lembranças, como Deus fazia, usava, ...etc.
-Começo do fim: Vivem o hoje, como se Cristo voltasse agora! não se acomodam com os milagres, sempre estão a busca de Deus, se Deus abriu ao mar vermelho ontem, hoje eu quero atravessar o Jordão!

Que Deus Continue Abençoando!

7 de jan de 2014

Ditaduras reformadas: "e proibido pensar"!?

         
  Gostaria de falar de uma ditadura que tenho visto e sentido de forma muito clara nos ambientes cristãos reformados, nos círculos de debate, e na convivência com amigos que eu chamo de “ditadura da reforma” ou de certos “reformados”. Ditadura é uma palavra usada para regimes de governo totalitários que usam de todas as formas de violência para aniquilar o pensamento contrario ou diferente. Uma das maiores armas das ditaduras foi matar o pensamento livre. Toda produção literária, textual, artística, editorial, tinha o conteúdo controlado por aquele determinado regime que censurava no caso de as idéias difundidas ali serem contrarias as doutrinas daquele determinado controle.
            Quis trazer o conceito de ditadura como exemplo para uma realidade que tem me incomodado muito, mesmo porque eu não permito que nada me impeça de pensar livremente tanto sobre Deus quanto qualquer que seja o assunto. Muitos cristãos têm chamado para si o titulo de "ortodoxo", tem traçado uma linha, e qualquer que pensar fora de tais limites é taxado como liberal, ou coisa do tipo, isso quando não se chama de herege. Normalmente isso é feito por quem na verdade não estuda de forma séria, aprendeu alguns conceitos vindos de segunda mão, e já pensa que e calvinista e sabe alguma coisa, mas de fato esta no cafézinho da caminhada como estudante. Para os que querem aumentar o seu nível de dialogo e não ficar tão medíocre como esses eu gostaria de oferecer idéias simples que nos ajudarão a pensar com maior amplitude.
            Em primeiro lugar não existe uma teologia perfeita, a bíblia sim é perfeita no sentido de que o seu conteúdo é digno de toda aceitação, mas as interpretações que existem dela são imperfeitas e carecem de limitações, pois são tentativas de entender a mente ilimitada de Deus, existem verdades nucleares e inegociáveis disso ninguém discute, porém  situações de seqüência lógica, abordagem, o meio pelo qual se chega a raciocinar, em fim... para tudo isso não ha uma regra absoluta. Por exemplo: Encarnação, Vida, Morte, e Ressurreição são ensinamentos absolutos cristãos, mas dependendo da linha ela terá da mesma verdade uma interpretação, uma ênfase, uma abordagem diferente de tantas outras que existem.
            Gostaria de em segundo lugar falar sobre o conceito de ortodoxia que quer dizer nada mais e nada menos do que linha doutrinaria, ou seja, toda pessoa que defende uma linha de pensamento é ortodoxa por defender aquele pensamento. Tenho visto no debate cristão uma tentativa de comprar os direitos de uso da palavra ortodoxia por parte de setores reformados, os próprios de forma soberba e tirana tem feito um monopólio da virtude quando chamam para si um ar de espiritualidade diferente dos que defendem uma outra perspectiva, como se isso fosse pré-requisito para tal coisa.
            A minha terceira critica a ditadura  dos que se dizem estudantes de teologia é que as criticas feitas a outros pontos de vista raramente tem uma base em estudos sérios e próprios, são pré-conceitos que são plantados e que pegam por causa dos rótulos que são lançados, lembre-se que eu usei o conceito de totalitarismo, e isso e muito comum em regimes de poder. O Apostolo Paulo Recomenda “examinar tudo e reter o que e bom”, mas a maioria dos militantes “ortodoxos” não estudam tudo e não são ensinados a pensar por si, e recebem tudo pronto dos professores, teólogos de internet, que também são cheios de tendenciosidades, existe uma dimensão de síntese individual na caminhada do estudante, ou seja, ele mesmo deve colher as informações e discernir com seu coração baseado no testemunho da palavra no Espírito Santo. Espero ter contribuído para que haja realmente um estudo teológico que afete sua vida devocional e não para que você acumule informações vazias de sentido pratico e que não cooperam para o amor. Paz pra todos!

3 de jan de 2014

O Novo Testamento e o Cristianismo Primitivo, um esclarecimento


Há alguns dias, em um grupo teológico, alguém postou um texto afirmando se a Bíblia Hebraica, somente, é a fiel palavra de Deus. Disse, também, que o Novo Testamento não era reconhecido pela Igreja Primitiva (entre sécs. I e III), mas somente pela Igreja Romana, no sec. IV.

Bom, e o que será que a história diz sobre isso? Como a igreja nutriu, por tanto tempo, as doutrinas cristãs? Como se defenderam das ameaçadoras heresias que surgiam, como as dos gnósticos (sécs. I e II), dos Judaizantes, as de Montanus (final do séc. II), as de Marcião (sec. II), dos sebalianos e arianos (sécs. III a IV), e tantas outras que tentavam jogar por terra a deidade de Cristo, ou firmar que Cristo era um outro deus, ou apenas um profeta? O que liam em suas reuniões?

Para entender como pensavam nossos irmão primitivos a respeito do novo testamento, irei usar aqui 4 arquivos históricos, o livro “Historia Eclesiástica” de Eusébio da Cesárea (270 – 340 d.C.) , “De Principiis, Livro IV” de Orígenes de Alexandria (185 – 253), escrito por volta de 311 d.C, “Contra as Heresias” por Ireneu de Lião (130 – 202 d.C), de 180 d.C e os Cânone Muratori de 170 d.C.

Das três primeiras obras, a de Eusébio é a única que tem mais de um capitulo dedicado as obras dos apóstolos. Apesar de não reconhecer algumas cartas como testamentárias (canônicas), como a de II Pedro, ainda fica bem claro que as demais eram aceitas como inspiradas e canônicas.

Vejamos:

“De Pedro reconhecemos uma única carta, a chamada I de Pedro. Os próprios presbíteros antigos utilizaram-na como algo indiscutível em seus próprios escritos. Por outro lado, sobre a chamada II carta, a tradição nos diz que não é testamentária, ainda assim, por parecer proveitosa a muitos, é tomada em consideração junto com as outras Escrituras.” (III, 1)

Eusébio sobre os escritos de Paulo:

“Por outro lado, é evidente e claro que as catorze cartas são de Paulo.” (III, 5)

Das obras de Lucas:

Lucas, por outro lado, oriundo de Antioquia por sua linhagem e médico de profissão, foi durante a maior parte do tempo companheiro de Paulo. Mas seu trato com os outros apóstolos também não foi superficial: deles adquiriu a terapêutica das almas, da qual nos deixou exemplos em dois livros divinamente inspirados: o Evangelho, que ele confessa ter composto segundo o que lhe transmitiram os que foram testemunhas oculares e se fizeram servidores da doutrina, dos quais ele diz que seguiu já desde o começo, e os Atos dos Apóstolos que compôs, já não com o que tinha ouvido, mas com o que viu com os próprios olhos.” (IV, 6)

Eusébio, ainda escreve um capitulo sobre quais livros a igreja deve ou não aceitar como escritos do Novo Testamente, ou Canônicos.

“Chegando aqui, é hora de recapitular os escritos do Novo Testamento já mencionados. Em primeiro lugar temos que colocar a tétrade santa dos Evangelhos, aos quais segue-se o escrito dos Atos dos Apóstolos. Depois deste há que se colocar a lista das Cartas de Paulo. Depois deve-se dar por certa a chamada Primeira de João, assim como a de Pedro. Depois destas, se está bem, pode-se colocar o Apocalipse de João, sobre o qual exporemos oportunamente o que dele se pensa. Estes são os ditos admitidos.”(XXV, 1-3)

A carta aos Hebreus pode ser incluído nas cartas de Paulo, pois Eusébio que ter sido Paulo quem escrever.

Origines, que foi, também, um grande defensor da deidade de Cristo, no prólogo de seu livro, deixa bem claro sua crença de que os Evangelhos, assim como o Velho e o Novo Testamente, foram dados pelo próprio Deus.

“Este Deus, justo e bom, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, foi quem nos deu a Lei e os Profetas e o próprio Evangelho, o qual é também o Deus dos apóstolos, assim como do Velho e do Novo Testamento.” (Prólogo, 4)

“se escutarmos as palavras de Paulo como sendo palavras do Cristo que, segundo a sentença do próprio Apóstolo, nele fala” (III, 22)

“... as divinas Escrituras a chamam de invisível, como quando Paulo diz Cristo ser a imagem invisível do Pai (Col. 1, 15), para pouco depois dizer que por Cristo foram criadas todas as coisas, as visíveis e as invisíveis (Col. 1, 17)”. (III, 27)

Em outro lugar Origines escreveu:

“Segundo aprendi com a tradição a respeito dos quatro evangelhos, que são os únicos inquestionáveis em toda Igreja de Deus em todo o mundo. O primeiro é escrito de acordo com Mateus, o mesmo que fora publicano, mas depois apóstolo de Jesus Cristo, o qual, tendo-o publicado para os convertidos judeus o escreveu em hebraico"

Origines parece não ignorar os escritos paulinos como canônicos.

Irineu, antes de Origines, e assim como ele, via os escritos neo-testamentários como divinamente inspirados e canino. No texto abaixo, quando trata sobre as heresias dos ebionitas e nicolaítas, Irineu acusa os ebionitas de aceitarem o evangelho de João, e rejeitarem os escritos de Paulo, que eram considerados pela igreja como divinamente inspirados.

Utilizam somente o evangelho segundo Mateus e rejeitam o apóstolo Paulo como apóstata da Lei.” (26, 2)

Nesta outra parte, Irineu se refere ao texto do Evangelho de João 1.3 como sendo a própria escritura, veja:

“Nós, porém nos mantemos firmes na regra da Verdade, isto é, que existe um só Deus onipotente que tudo criou pelo seu Verbo, plasmou e fez que o que não existe passasse a existir, como diz a Escritura: "Pela palavra do Senhor os céus foram feitos e pelo sopro de sua boca toda a potência deles". E ainda: "Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito".” (21, 1)

Agora, vamos à obra mais antiga (170 d.C.) e mais incrível entre as citadas, com respeito à Igreja Primitiva e os cânones neo-testamentários, o Cânone de Muratori. O escrito, infelizmente incompleto, lista os livros aceitos como canônicos pela igreja do segundo século. Refere-se aos evangelhos de Lucas e João como sendo o terceiro e quarto evangelho, a parte que trata, provavelmente, sobre Mateus e Marcos não foi encontrada. O fragmento comenta sobre Atos dos Apóstolos de Lucas, as cartas de Paulo, e as apostólicas. O pequeno texto também trata sobre alguns escritos que não devem ser aceitos pela igreja, como as cartas aos Laodicenses e aos Alexandrinos, atribuídas falsamente a Paulo.

Vejam:

O terceiro livro do Evangelho é o de Lucas. Este Lucas “médico que depois da ascensão de Cristo foi levado por Paulo em suas viagens” escreveu sob seu nome as coisas que ouviu, uma vez que não chegou a conhecer o Senhor pessoalmente, e assim, a medida que tomava conhecimento, começou sua narrativa a partir do nascimento de João. O quarto Evangelho é o de João, um dos discípulos.”

Os Atos foram escritos em um só livro. Lucas narra ao bom Teófilo aquilo que se sucedeu em sua presença, ainda que fale bem por alto da paixão de Pedro e da viagem que Paulo realizou de Roma até a Espanha.”

“Quanto às epístolas de Paulo [...] não precisamos discutir sobre cada uma delas, já que o mesmo bem-aventurado apóstolo Paulo escreveu somente a sete igrejas, como fizera o seu predecessor João, nesta ordem: a primeira, aos Coríntios; a segunda, aos Efésios; a terceira, aos Filipenses; a quarta, aos Colossenses; a quinta, aos Gálatas; a sexta, aos Tessalonicenses; e a sétima, aos Romanos [...]. Além disso, são tidas como sagradas uma [epístola] a Filemon, uma a Tito e duas a Timóteo.”

“Entre os escritos católicos, se contam uma epístola de Judas e duas do referido João [...]. Quanto aos apocalipses, recebemos dois: o de João e o de Pedro; mas, quanto a este último, alguns dos nossos não querem que seja lido na Igreja

Podemos, então concluímos que os escritos neo-testamentários eram sim usados pela igreja primitiva, e não só usados, mas eram considerados canônicos inspirados e dados pelo próprio Deus. Afirmar que a igreja primitiva não reconhecia os escritos do Novo Testamento como inspirados sem conhecimento histórico, é tão ignorante quanto dizer, “esta ou aquela bíblia, versão, tradução é a verdadeira e fiel”. Por favor, parem de impedir a ação do Espírito Santo.

Em Cristo, Leandro Schoen