16 de set de 2016

Vida de Papel

  Essa semana fomos chocados com uma tragédia. O ator domingos Montagner, um homem forte, saudável, cheio de vida, com carreira e sucesso profissional, com muito pela frente, ao ir tomar um banho de rio apenas, perdeu sua vida e creio que detalhes todos já sabem. Acontecimentos como esses devem nos fazer refletir sobre algumas coisas importantes. Já dizia salomão que é melhor estar na casa do luto, pois ali se reflete sobre o sentido da vida, considerando coisas que na casa da alegria não temos espaço, analisando assim podemos tirar alguma coisa até mesmo de eventos tão inesperados como esses e quem sabe crescer.
 
    A primeira reflexão que eu faria tendo como pano de fundo esses fatos é que devemos valorizar cada minuto com as pessoas, pois não sabemos quando elas não estarão mais. Existem pessoas tão frequentes em nossas vidas, e acabamos pensando que ela sempre estarão ali, acabamos por banalizar aquela pessoa tão importante para nós, podendo chegar ao tempo em que só podemos lamentamos sua ausência para sempre. É dolorido só perceber depois o quanto alguém foi importante para nós e que não temos mais oportunidade de retribuir, de reconhecer, e de dar honra aquela pessoa. Fico imaginando a dor desses familiares, que perderam de forma tão estúpida um ente querido, tomara que eles tenham tido tempo de dizer tudo que sentem, ainda que tinham tanto pra viver ainda do lado dele.
    Penso também que o medo pode ser bom, o medo pode nos livrar de muitas coisas, pessoas destemidas não cuidam e não atentam para perigos, pessoas ousadas demais, que se confiam demais não sabem que morrer é muito mais fácil que viver, que a vida é frágil como um papel, que nossa vida é um sopro, não somos nem de longe somos auto-suficientes. A maioria dos afogamentos acontecem com quem sabe nadar, não quero julgar se foi o caso com o ator, mas se ele tivesse um trauma de infância que não deixasse ele ter coragem para ir longe dentro da água evitaria tal evento. Concluo dizendo que nossos traumas, medos, são nossas marcas, e nos ajudam a refletir, óbvio que não devemos nos pautar pelos medos e traumas, sob pena de não viver, mas devemos considerar que o medo é normal diante de coisas desconhecidas.
    A brevidade da vida me saltou como algo a se pensar, se pensarmos que estatisticamente é mais fácil morrer do que viver, que existem tantas coisas que podem ceifar nossa vida, que somos pequenos, indefesos, e que no brasil vivemos dias cruéis do ponto de vista de segurança. Sem contar que nosso tempo de vida em média é pouco e passa rápido. Isso me faz pensar que cada escolha, decisão, e passo na caminhada da vida é de suma importância, saber aproveitar, remir o tempo, otimizar as coisas, perdoar, amar, ajudar, se doar, deixar um legado importante, e pregar o evangelho a todo e todas. Viver para glória de Deus implica em bom uso da força que temos, bem como do tempo, da inteligencia, forças, e recursos, devemos empregar tudo que somos e temos para que alcancemos uma vida digna da eleição divina em nós. Que possamos continuar a pensar sobre essas coisas e que Deus nos abençoe!

4 de set de 2016

The Big True is...

  Pensando sobre a verdade e seu significado, eu tenho chegado a conclusão que ela nos cerca, nos envolve, está sempre diante de nós sorrindo, muitas vezes esbarramos e não nos damos conta que é ela que tanto fugimos e ao mesmo tempo procuramos. Fugimos porque sabemos que no fundo a verdade não nos agrada, e procuramos no sentido de que queremos algo quem sabe agradável ao nosso apetite pós-moderno. Na verdade a pós-modernidade vive uma relação bipolar com a verdade, um relacionamento de amor e ódio, muitas pessoas afirmam como absoluta, e outras vamos ver ela sendo relativizada, isso vai depender muito do interesse individual, pois pouquíssimos comprarão o pacote completo, a maioria vai personalizar, customizar, tentar converter a verdade aos seus caprichos.
 
   Nós temos pregado o nosso evangelho para a verdade, pedindo que ela se converta a nós, e que ela se adapte a nós, queremos o nosso desejo sendo cumprido nela sem nenhuma crise. Essa geração quer ter o direito e a liberdade de crer em muitas verdade ao mesmo tempo sem serem acusados pelos "quadrados" de contraditórios, ai de quem dizer que eles não podem. Assim caminhamos, infantis homens, anões espirituais, pigmeus na vida e na existência,  pois cultivam uma vida plástica e não funcional para o que ela de fato deve ser. Preferimos a estética ao invés da ética.
   Não podemos represar a verdade colocando barreiras para ela, sob pena de que essas "proteções" que colocamos caiam sobre nós, nos atropelando e nos fazendo mal. A verdade aparece como ensino para nos precaver, mas também como juízo para nos punir, nos repreendendo, ambos os casos são saudáveis, mas devemos buscar o ensino, a educação na justiça, percebendo as coisas e aplicando-as em nosso cotidiano, plantando uma nova mentalidade, e consequentemente uma vida redimida.
  Espero que não tenhamos a mesma reação de Nicodemos diante de Jesus, cuja história está em João 3. O respeitado fariseu, veio até Jesus com atitude modesta e honesta, querendo aprender a natureza do ensino de Jesus, mas saiu confuso,  com mais perguntas ainda, pois não esperava ter suas crenças colocadas em cheque por algumas palavras que Jesus colocou sobre o Reino de Deus, ou seja, estava tão hipnotizado e focado em si, e não viu a verdade passar debaixo de suas barbas, perdendo assim a oportunidade de beijá-la e abraçá-la. Tomara que ele tenha pensado melhor e se convertido.
    É difícil falar de verdades hoje, mas é esse talvez o nosso maior chamado, de indicar o caminho sólido e consistente para que as pessoas se inspirem e se motivem na busca, na reflexão séria sobre a vida, e não comprando pacotes de viagens bem "viajosas" que nos levam para lugares comuns. Temos que afirmar que Jesus é a verdade, ele é o porto mais do que seguro, pois aquele que vai até ele, de maneira alguma é lançado fora de sua presença.