10 de nov de 2013

‘All along the watchtower’ e uma lição sobre o significado da igreja.



Bem, essa é minha primeira postagem aqui no blog e motivo de me sentir mais que honrado por ter recebido o convite para ser colaborador. Quando me veio o convite já tinha em mente de inaugurar minhas participações com algo desse tipo, mas a inspiração veio definitivamente quando eu numa das minhas (muitas) noites de insônia escutava musica. Sempre gostei dos clássicos e Hendrix especificamente me fascina, ‘all along the watchover’ é uma das melhores musicas dele em minha opinião (na verdade a musica é do Bob Dylan, mas só fui saber ao procurar um pouco mais para fazer a postagem, para todos os efeitos, continua sendo do Hendrix! rs)

A letra é bastante profunda e propõe reflexões muito interessantes (aconselho a ler a letra no fim da postagem e após isso retomar a leitura linear!) sobre a perspectiva de um homem sobre a vida e sobre o poder. Não vou fazer uma exposição exegética da letra, mas apenas ressaltar alguns pontos.

A musica me fez pensar sobre nossas ‘culturas de gueto’, onde nos trancamos em nossas torres de vigia (watchtowers) e ficamos como que inertes ao restante do mundo, apenas observando como se fossemos mais certos que todo o restante do mundo e não pudéssemos ‘sujar’ nossas mãos. São guetos pentecostais, neo-pentecostais, tradicionais, neo-ortodoxos, reformados e daí por diante. Segregação sobre segregação, apenas aglomerando um bando de pessoas iguais e excluindo qualquer pessoa que não se pareça com o estereótipo de nossos grupos.

Vejo cristãos massacrando quem deveriam amar e abraçando quem deveriam se afastar, a questão é de puro interesse. Se alguém sabe um pouco mais sobre teologia é amado e ovacionado, se tem uma boa retórica se torna o centro das atenções. Enquanto as pessoas que não sabem tanto são escorraçadas e se tornam motivo de chacota. Quando vejo Jesus ensinando da mesma forma para uma adúltera e para um fariseu, percebo o quanto Ele foi grandioso e o quanto somos medíocres, julgamos pela aparência do alto de nossas torres de vigia, enquanto Ele foi lá e amou, saiu do trono, se fez carne e sangrou como um humano, enquanto os humanos fingem que não sangram para tentarem ser deuses uns para os outros.

Saiamos de nossas torres de vigias, da comodidade de nossos templos com ar-condicionado e musica bem feita e sejamos verdadeiramente igreja (que no grego, é traduzida como ‘chamados para fora’). Pessoas estão confusas e precisando de Deus enquanto falamos da gravata do diácono ou do ministro de louvor que desafinou. Disputamos quem tem a doutrina mais perfeita enquanto renegamos a ordem de Jo 3:35. Miseráveis homens que somos!
Paremos de falar hipocritamente e sejamos filhos de Deus, que demonstram Seu amor aos outros, falando com simplicidade, e que possamos um dia chegar ao nível dEle, de explicar o Reino com pássaros, lírios e sementes, de forma que pessoas fora de nossas torres de vigia entendam e conheçam este Louco Amor!

Vejamos a tradução da musica e pensemos sobre o quão medíocres temos sido, a ponto de Deus levantar uma letra forte como esta, tal qual uma espécie de pedra que clama:

Tudo ao longo da Torre Vigia
"Deve haver algum jeito de sair daqui,"
Disse o Coringa ao Ladrão.
"Há confusão demais,
Não consigo nenhum alívio."

Homens de negócio bebem meu vinho,
Aradores cavam minha terra,
Nenhum deles ao longo da linha,
Sabe o que isso vale.

"Não há razão para ficar excitado,"
O Ladrão bondosamente falou,
"Existem muitos aqui entre nós que sentem
Que a vida não passa de uma piada,

Mas você e eu, nós já passamos por isso,
E este não é nosso destino.
Então, vamos parar de falar hipocritamente,
Está ficando tarde."

Por toda a torre de observação,
Príncipes continuaram a olhar,
Enquanto todas as mulheres iam e vinham,
Criados descalços também.

Lá fora na distância,
Um gato selvagem grunhiu
Dois cavaleiros se aproximavam,
O vento começou a uivar.


Nossa cultura precisa ser redimida e não demonizada (mas isso é assunto para outra ou outras postagens! rs)
Que Deus continue nos sustentando com Sua graça!
Ass: David Bispo.

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